(5) Pesquisa fílmica AS PONTES; O território, o duende e a arte
- Davit Giménez

- 8 de jul. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 20 de out. de 2025
Nos últimos meses, venho me encontrando com Fred — um francês que vive entre Paris e São Gonçalo do Rio das Pedras há mais de trinta anos. Ele tem 77 anos, é artista e já circulou entre muitos mundos. Nossas conversas não são entrevistas. São trocas atravessadas por temas que nos aproximam: o exílio, o território, a identidade deslocada.
Fred tem uma presença singular e parece carregar marcas de outra época e uma sensibilidade atenta.

No primeiro encontro, tentei fazer uma fotografia rápida dele na porta de sua casa. Ele não gostou. Isso me levou a propor um retrato mais lento: cinco encontros, cinco conversas gravadas em áudio, que pudessem, aos poucos, construir uma imagem não visual, mas relacional. Nos encontros com Fred, uma palavra tem voltado com frequência: duende. Não como expressão vaga de mistério, mas como uma tentativa de nomear algo que escapa do controle racional do artista. Um impulso que não se fabrica, mas que aparece — ou não — quando as condições são propícias.
Segundo García Lorca, o duende é o que se instala no corpo do intérprete quando a arte deixa de ser técnica e passa a ser risco. Quando o canto já não é perfeito, mas urgente. Quando o gesto não é decorado, mas necessário. Quando o corpo treme;
“Estos sonidos negros son el misterio, las raíces que se clavan en el limo que todos conocemos, que todos ignoramos, pero de donde nos llega lo que es sustancial en el arte.Sonidos negros dijo el hombre popular de España y coincidió con Goethe, que hace la definición del duende al hablar de Paganini, diciendo:‘Poder misterioso que todos sienten y que ningún filósofo explica.’Así, pues, el duende es un poder y no un obrar, es un luchar y no un pensar.Yo he oído decir a un viejo maestro guitarrista: ‘El duende no está en la garganta; el duende sube por dentro desde la planta de los pies.’Es decir, no es cuestión de facultad, sino de verdadero estilo vivo; es decir, de sangre; es decir, de viejísima cultura, de creación en acto.”
Essa ideia tem atravessado minha relação com a câmera. Em vez de buscar controle, comecei a aceitar a presença do acaso, daquilo que surge sem aviso. Uma conversa que não estava planejada. Um plano que se desfaz. Uma voz que aparece fora de campo. A pesquisa se desloca do conteúdo para a forma, e da forma para a escuta.






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