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Textos y podcasts sobre cinema documental

(2) Pesquisa fílmica AS PONTES; Limbo, paisagem e fora de campo

  • Foto do escritor: Davit Giménez
    Davit Giménez
  • 13 de jun. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: 20 de out. de 2025

Desde o início da pesquisa, a palavra limbo começou a organizar parte das minhas inquietações depois que a Marta Andreu me provocou com esta palavra durante a Residência Walden que fizemos em novembro. Não como metáfora religiosa, mas como um estado entre. Um lugar onde algo ainda não se definiu, onde as coisas ainda não tomaram forma — e talvez nem tomem.

O projeto As Pontes parte da tentativa de observar esse território em suspensão. Um espaço entre culturas, entre paisagens, entre experiências e entre tempos. Vivo no Brasil há mais de 14 anos, mas percebo que a identidade não se fixa. Ela se desloca, se descola, perde forma. As referências da infância, da língua e da cidade natal começam a se diluir, e a adaptação a um outro país também não preenche esse vazio.

A ideia de limbo me interessa por isso: por estar no limite entre o urgente e o inevitável.

O urgente: despedidas que se impõem — do meu pai, que envelhece longe; de um modo de vida ameaçado pela chegada da mineração.
O inevitável: a experiência de estar em um território que me acolhe, mas que ainda observo com certa distância.

Filmar nesse contexto tem exigido cautela. Tenho me questionado sobre o lugar de onde filmo, sobre a legitimidade do meu olhar, sobre o que posso ou não registrar. Ainda não me sinto autorizado a apontar a câmera diretamente para a comunidade. Por isso, as imagens que faço têm vindo de longe, em plano geral, ou do entorno imediato da casa onde moro. A rua, a luz do dia, o vaivém das pessoas, os animais que passam.

O fora de campo tem sido um recurso constante. Ele fala daquilo que está presente, mas não se mostra. Como os áudios que recebo do meu pai do hospital. Como os registros de drone sobre a mineração. Como a ameaça que se aproxima sem ainda tocar diretamente o cotidiano. É uma linguagem que me interessa, mas também impõe um limite: até onde o filme pode se sustentar apenas com o que não se vê?

Filmar As Pontes tem sido também filmar uma dúvida. Um impasse. Um intervalo.





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