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Textos y podcasts sobre cinema documental

(3) Pesquisa fílmica AS PONTES; Rua Sempre Viva, número 1

  • Foto do escritor: Davit Giménez
    Davit Giménez
  • 24 de jun. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: 20 de out. de 2025


Uma parte central desta etapa da pesquisa tem sido entender de onde posso filmar.

Ao longo dos últimos meses, percebi que ainda não me sinto à vontade para apontar a câmera diretamente para as pessoas em São Gonçalo. Existe uma distância ética, uma hesitação justa. Não quero assumir a posição de quem chega para registrar algo sem antes criar vínculo, sem construir relação. Por isso, por enquanto, filmo do lugar onde já me sinto autorizado: da frente da minha casa.


O ponto fixo é a Rua Sempre Viva, número 1. De lá observo o dia e a noite, os ciclos, o ritmo da rua, a passagem dos vizinhos, os animais. Tento encontrar nessa repetição algo que me permita pensar o tempo, o pertencimento, o cotidiano como paisagem. O gesto de filmar não é o de extrair, mas o de acompanhar.


Quando tento me aproximar de pessoas, percebo que os enquadramentos convencionais — plano médio, plano fechado — não funcionam. Parecem forçados. Me sinto mais honesto filmando de longe, em planos gerais, em uma posição lateral à cena. Gosto quando a minha voz aparece ao fundo, em resposta a algo que acontece. Gosto quando o encontro é provocado pela presença da câmera, mas não pelo seu uso.

Por isso, as imagens do filme seguem sendo construídas a partir de gestos mínimos. Um menino com seu cavalo na praça. Uma árvore caída no cerrado. Um cortejo que passa do lado de fora, enquanto eu ainda estou dentro. Um pássaro preso dentro de casa, tentando sair.


Essas imagens não estão isoladas. Elas compõem um modo de olhar que ainda está em formação, mas que já tem direção. A câmera se comporta como quem chega e observa — sem pressa, sem pressões. E talvez este seja o filme: não uma explicação sobre a região, mas uma presença que tenta aprender como se chega, como se escuta, como se permanece.



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